Por que as pessoas traem?

Dia 25 de novembro é comemorado o "Dia do Corno". Uma tradição que teve origens religiosas (sim! acredite! rsrs) mas, que hoje é tida como uma maneira "lúdica" de encarar a traição. Alguns, conseguem superar com humor. Alguns, simplesmente, não superam. Alguns, apenas querem entender o que, de fato, levam pessoas a pularem a cerca?


Quando descobrimos uma traição, a primeira reação é a raiva. Com esta “conselheira” julgamos que a traição é resultado de um indivíduo problemático, ou seja, a traição é consequência da falta de caráter do traidor.


A "sabedoria popular" determina: temos dois culpados!


25/11 Dia do Corno, mas por que será que as pessoas traem?

Se buscarmos um amigo para desabafar, a “sabedoria popular”, poderá agir da seguinte forma: Sim! Ele é um canalha por ter te traído! ou seja, a culpa é da imperfeição moral do outro. Mas, corremos

o risco, também, dessa mesma “sabedoria popular”, depois de algum tempinho, justificar a traição da qual fomos vítimas como resultado de algum problema que, porventura, possa ter acontecido em seu relacionamento.


Na verdade, nossa tendência como seres humanos é de justificar um erro como consequência da falta de algo. Seja falta de caráter, seja falta de intimidade no casamento.


Baseados no modelo de amor romântico, tendemos a acreditar que, quanto mais intimidade tivermos com nosso parceiro, mais vacinados estaremos contra puladas de cerca.

O problema de pensarmos assim é que, se existe algo imperfeito em nossa relação, é sinal de que há um modelo perfeito. E, na verdade, sabemos que não há.


Assim como também não existem pessoas perfeitas. Muitos indivíduos foram fiéis durante anos, ou décadas. Parecem ser mulheres e homens equilibrados, maduros, carinhosos, muito preocupados com a relação, bons pais, etc... e um dia, acabam cruzando a linha que jamais imaginariam cruzar, arriscando tudo o que construíram. Por um vislumbre de quê? Como isso se explica? Afinal, se não se trata da falta de algo no relacionamento ou de algo no caráter da pessoa, por que é que as pessoas traem?


A busca pelo eu diferente e não por um outro melhor


Muitos casos extraconjugais são decorrentes de uma forma de autodescoberta, de uma busca por uma identidade nova ou perdida. A maioria das vezes, não se trata da busca por um amante, mas sim da busca de outra versão de nós mesmos. Seres humanos são propensos a procurar coisas onde é mais fácil procurá-las e não onde, de fato, as encontre.

Não estou justificando a traição ao relativizar suas causas. Mas, é que


a infidelidade precisa ser vista além de uma patologia de caráter ou de uma disfunção do relacionamento.

E, também, isso não quer dizer que estes dois motivos não possam ser verdadeiros em algumas situações.


Precisamos compreender que, na vida moderna, temos sempre a desconfiança de que estamos vivendo uma mentira ou um engano, de que algo de crucial importância passou despercebido, foi omitido, negligenciado, não foi tentado ou explorado... temos a sensação constante de que alguma obrigação vital para com o nosso “eu autêntico” não foi cumprida ou de que certas chances de felicidade desconhecida, totalmente diferente de qualquer felicidade vivenciada antes, não foram adotadas com o tempo e estão destinadas a se perder para sempre se continuarem negligenciadas. É essa ideia de “se eu tivesse feito diferente eu estaria diferente”, que muitas vezes impelem pessoas a buscarem esse diferente. Perceba que não estou falando de “estaria melhor” e, sim de “estaria diferente”.


Nessa espécie de “nostalgia de vidas não vividas” os casos extraconjugais oferecem uma janela para essas outras vidas, uma espiadela no estranho dentro de nós.


Não podemos pensar que, sendo assim, mais cedo ou mais tarde, todos cometeremos adultério. Na verdade, meu propósito aqui é mostrar que todos podemos cometer este deslize, sem se tratar de canalhice ou de um relacionamento infeliz. E, logicamente, o fato de entender também não nos livra das consequências desta transgressão, seja para o outro, seja para nosso relacionamento, seja para nós. O alerta fica para que, antes que a traição se apresente como possibilidade, voltemos a encontrar formas de reintroduzir as muitas peças de nossa personalidade que foram abandonadas, simplificadas ou deixadas ao longo do caminho na duração de nossos relacionamentos

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©2019 por Sexualidado do Casal | Psicoterapeuta Bruna Soarez | Brasil