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©2019 por Sexualidado do Casal | Psicoterapeuta Bruna Soarez | Brasil

Seu relacionamento está sofrendo de "Tédio Conjugal"?

Esther Perel, em seu livro "Sexo no Cativeiro" descreve o que, segundo ela, seria a história de amor moderna e reduzida:


Você conhece alguém por uma forte alquimia de atração. É uma reação deliciosa e é sempre uma surpresa. Você passa a ver inúmeras possibilidades, sente-se cheia de esperanças, acima das coisas banais, entrando num mundo de emoção e paixão. O amor a domina, e você se sente mais poderosa. É um clímax de sensações que você não quer que acabe. Mas também tem medo. Quanto mais você se apega, mais tem a perder. Então, você tenta tornar o amor mais seguro. Tenta prendê-lo, torná-lo confiável. Você assume alguns compromissos e, alegremente, abre mão de um pouco de liberdade em troca de um pouco de estabilidade. Cria conforto através de artifícios - hábitos, rituais, nomes de bichos de estimação - que dão tranquilidade. Mas a emoção estava ligada a certa dose de insegurança. A excitação decorria da incerteza, e agora, ao procurar dominá-la, você acaba fazendo a vivacidade se esvair. Você gosta do conforto, mas reclama das limitações. Sente falta da espontaneidade.

Na tentativa de controlar o risco da paixão, você a abateu. Nasce o tédio conjugal.
Tédio conjugal é quando, na tentativa de diminuir a ansiedade da paixão, matamos o desejo e erotismo.

Embora prometa aliviar nossa solidão, o amor também aumenta nossa dependência de uma pessoa. Ele é intrinsecamente vulnerável. Nossa tendência natural é recorrer ao controle para acalmar a ansiedade. Sentimo-nos mais seguros se diminuímos a distância que há entre nós, ampliamos a certeza, reduzimos as ameaças e refreamos o desconhecido. Contudo, alguns se defendem das incertezas do amor com tal zelo que perdem contato com suas riquezas. O erotismo e a paixão são suas riquezas.


Existe uma forte tendência, nas ligações de longo prazo, a valorizar mais o previsível. Mas o erotismo gosta do imprevisível. O desejo entra em conflito com o hábito e a repetição. É indisciplinado e desafia nossas tentativas de controle.


Onde ficamos, então?


Não queremos jogar fora a segurança porque nossa relação depende dela. Uma sensação de segurança física e emocional é fundamental para um prazer e uma ligação saudáveis. No entanto, sem um componente de incerteza não há desejo, não há expectativa, não há frisson. O especialista em motivação Anthony Robbins resumiu a questão quando explicou que "a paixão numa relação é proporcional ao grau de incerteza que se pode tolerar".


Se quisermos continuar desejando uma pessoa, precisamos trazer o sentimento do desconhecido para este lugar familiar.

O erotismo é arriscado. Temos medo de nos permitir esses momentos de idealização e desejo por quem vive conosco. Isso introduz um reconhecimento de soberania do outro por nós, que pode dar uma sensação de instabilidade.


Quando nosso parceiro é independente, tendo sua própria vontade e liberdade, a fragilidade de nosso vínculo aumento. A defesa típica contra essa ameaça é permanecer no âmbito familiar e do aconchego: as briguinhas, o sexo confortável, os aspectos cotidianos da vida que nos mantêm amarrados à realidade e barram qualquer chance de transcendência. Ou seja, quer acabar com o tédio conjugal? Lembre-se: "A verdadeira viagem de descoberta não consiste em procurar paisagens novas, mas em enxergar o caminho com olhos novos".

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